O duo Selva é uma das mais fortes cartas na manga do cenário eletrônico nacional

No período atual, onde muito do que acontece dentro da música eletrônica é extremamente elusivo, quando DJs são criados da noite para o dia sem terem precisamente um conhecimento técnico ou teórico de música que os tornaria de fato “prontos” para o trabalho, deve-se valorizar o autêntico. É o caso do Selva. Passeando entre seus sons na web, é possível perceber que a experiência adquirida anteriormente como músicos contou muito para o sucesso consistente do projeto de música eletrônica desde seu lançamento, há cerca de 2 anos e meio. “Criamos as nossas músicas do zero. Melodia, harmonia, letra e finalmente a produção. Em terra de sample packs, compor as próprias musicas é também um diferencial”, conta o duo formado por Pe Lu e Brian Cohen.

Apesar de Pe Lu, ex-Restart, ser um integrante consideravelmente estelar na história do Selva, não existe necessariamente o objetivo em usar a fama do artista para eclipsar o trabalho atual, pois como contou Pe Lu à imprensa, “o Selva é um projeto muito diferente, não tem nada a ver com Restart”. Os tempos são outros sim, mas acabam se conectando, como menciona: “Quem tinha 16 ou 17 anos [ouvindo o Restart] agora está indo pra balada e ouvindo o Selva”. Este resultado é evidente não apenas na balada, mas no Spotify, onde o duo figura entre os 100 maiores artistas nacionais do serviço de streaming e cujo perfil alcançou recentemente o número importantíssimo de 500 mil plays mensais.

© Alisson Demetrio | 2017

Durante os shows ao vivo, os componentes que o duo explora e apresenta são tudo o que se pode esperar de um bom show. Do começo ao fim, o Selva cria uma conexão intensa com o público ao explorar a totalidade do espaço físico da apresentação com muita presença, carisma e energia criando momentos singulares com instrumentos e vocais executadas ao vivo. Em meio às luzes estroboscópicas e em frente a um público literalmente em busca das batidas perfeitas, colaboram para uma experiência memorável as músicas autorais do duo, como os hits “Why Don’t You Love” (produzido em parceria com Vintage Culture e Lazy Bear), “Make Me Wanna” (com o Zerky) e uma parceria belíssima com Manu Gavassi em “Don’t Give Up”.

“Don’t Give Up” é cativante por si só e representou um passo marcante na evolução do Selva. Em seguida, com a faixa “Why Don’t You Love”, o sucesso tornou-se inquestionável. A track acabou chamando a atenção do selo mais relevante do planeta, a Spinnin’ Records, gravadora responsável pelo spotlight dos DJs mais respeitados da atualidade. A Spinnin’ veio mais tarde repetir a dose, lançando “Make Me Wanna” em duas versões, uma original e uma acústica.

A percepção da dupla para as tendências atuais demonstra uma preocupação honesta em trazer momentos com os quais o público se identifique. É o caso da faixa “Stranger Boy”, collab com Alex Senna que muito criativamente combina o hit “Starboy”, do The Weeknd, com a melodia de abertura da série “Stranger Things”, e foi lançada com um timing mais que perfeito para uma nova temporada da série que estrearia poucas semanas depois. Se “Stranger Things” está na boca do povo, então está também nas mentes do Selva e nos ouvidos do público. Do outro lado da moeda, o duo também toca releituras eletrônicas de clássicos eletrônicos como “Summer Jam”, do The Underdog Project, e até mesmo de outros gêneros, como “Killing In The Name” do Rage Against The Machine.

Surpreenda-se com o Selva, e boa balada!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *