A matemática de Liu: como o jovem DJ conquistou o público e os promoters

Por Rodrigo Airaf

A procura pelas datas do DJ e produtor de São Paulo teve salto de 200%

Na matemática, a ordem dos fatores não altera o produto. Na música, a ordem não importa logo de cara, mas a quantidade de fatores sempre pode fazer a diferença. No caso do DJ e produtor Liu, a soma é simples e eficaz, gerando os mesmos resultados que rapidamente alçaram outras figuras do cenário ao sucesso: técnica + carisma + disciplina + talento + versatilidade. Dentro desse cálculo, a relação de Liu com seu próprio talento vai muito além do discurso clichê de que a inspiração que leva ao talento tem dia e hora para aparecer. Liu sabe muito bem que o talento não é uma musa, e sim prática, questão de botar a mão na massa. Foi assim que Liu, com apenas 11 anos, já dava seus primeiros passos como produtor de música eletrônica, impulsionado pelo esforço e autodidatismo que muito bem permeiam a nova geração.

Antes mesmo que pudesse frequentar a noite como parte do público, Liu já se apresentava com launchpads e abria shows para artistas como Capital Cities, decorrente do tal fator disciplina que não é sempre comum entre caras tão jovens. O garoto que se apaixonou pela dance music assim que teve contato com Satisfaction, do Benny Benassi, e que tem como referência artistas que vão desde Madeon até o próprio Alok, viria a alcançar pouquíssimo tempo depois o status de prodígio do cenário eletrônico nacional e referência para todos os jovens produtores que buscam lugar ao Sol.

Se você vem surfando a proeminente onda eletrônica brasileira dos últimos dois anos, provavelmente já se deparou com o grave retumbante característico de suas faixas, ou pelo menos viu a hashtag #PutaQuePaLiu passear pelas redes sociais. Devido ao seu grande e instantâneo sucesso, a track “Don’t Look Back”, de 2016, produzida em parceria com Vokker, tinha tudo para colocar Liu no mesmo grupo de artistas one-hit-only que tanto se vê em um mercado tão competitivo e imprevisível como este. É como dizem, maior o salto, maior a queda. Mas Liu, com seu fator disciplina sempre regente, saltou, voou longe e nunca mais desceu. Hoje, aos 19 anos, o DJ e produtor participa de super-festivais como o Tomorrowland Brasil, toca nos melhores clubes do país e ganha protagonismo entre o seleto conjunto de DJs brasileiros que emplacam sons no maior selo de música eletrônica do mundo, a Spinnin’ Records.

Seu mais recente lançamento, “Don’t Be Scared”, foi um golaço no que diz respeito ao fator versatilidade. O título e a letra da belíssima track, além de serem uma mensagem positiva para o seu público, parecem até uma conversa do Liu com si mesmo: não tenha medo das coisas novas, não tenha medo do diferente, sinta a liberdade e persista nos seus sonhos. É o que Liu aplica na sua música a cada lançamento, apresentando novas tentativas e novas facetas musicais sem necessariamente deixar sua identidade sonora de lado.

Com todos esses fatores em jogo e com credibilidade no cenário que cresce em passos largos, o resultado da matemática de Liu veio mais cedo por aqui: 200%. Este é o número inédito que representa o aumento da procura dos produtores de eventos pelo artista. Alavancado por um fã clube participativo, engajado e imerso no grave potente do que o Liu chama ironicamente de #flangobass, não restou outra escolha para os promoters: uma festa com Liu é sinônimo de sucesso.